Johnny Depp Forever
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Mais da conferência de imprensa de “Sombras da Noite”
junho 19, 2012

O site Omelete publicou hoje uma matéria sobre a conferência de imprensa de “Sombras da Noite”, que aconteceu em Los Angeles, no mês passado. O artigo reúne trechos das falas do elenco e da equipe do filme. Confira!

Burton conta o que o atraiu no projeto: “Não é muito pelo seriado em si, mas pelo clima que ele passava, pela dinâmica meio estranha, pelo menos pra mim. Queríamos muito capturar aquele tom, então por isso escolher o elenco era muito importante, e nós trabalhamos aqui com um ótimo elenco”. Não só como protagonista, mas também como co-produtor do filme, Depp emenda: “Eu me fascinei com essa novela gótica quando era criança, assistia depois da escola. Sempre ficou na minha cabeça essa ideia, de como seria legal se isso virasse filme, e um dia Tim e eu, na época de Sweeney Todd, estávamos conversando que deveríamos fazer um filme de vampiros, e de uma hora pra outra já estávamos numa sala com Seth discutindo o projeto”.

Do restante do elenco, a declaração mais interessante foi a de Michelle Pfeiffer – que afinal se reunia pela primeira vez com Tim Burton depois de Batman – O Retorno, filme que neste dia 19 de junho está completando exatos 20 anos. “Bem, todo mundo sabe que hoje em dia isso se chama mendigar trabalho… Não me orgulho disso”, ri a atriz. “Eu era louca pelo seriado quando criança, daí li que Tim faria um filme de Dark Shadows, e eu sem vergonha nenhuma telefonei para ele, depois de 20 anos”. Burton ri e confirma: “Nesse tempo ela não me ligou nem pra dizer um oi”.

Reencontro à parte, a atriz que rouba a cena no filme, no papel da bruxa Angelique, é Eva Green: “Pra mim foi divertido porque [esse tipo de papel] te permite ser extremo, é um presente para o ator quando o deixam surtar. Ela tem uma jornada interessante nesse filme, é uma personagem divertida e complexa. Ela e Barnabas têm uma relação intensa, para ela é ame-o ou mate-o”.

Danny Elfman continua: “Sempre fico no aguardo pra saber o que Tim quer fazer, e neste caso foi interessante porque eu nunca acompanhei Dark Shadows. Tim me mandou a música do seriado e eu fiquei surpreso com a qualidade. Comentamos sobre usar certos instrumentos e certos temas, e normalmente minha primeira reação seria ‘sério, preciso mesmo?’, mas neste caso a parte mais divertida do trabalho foi justamente incorporar pedaços da trilha original aqui e ali, de um jeito que fosse novo mas ao mesmo tempo uma homenagem”.

Demorou três perguntas apenas para que alguém questionasse Johnny Depp se o vampiro Barnabas, com sua pele branca, seus óculos escuros e sua sombrinha em plena luz do dia, seria uma encarnação de Michael Jackson. “Eu sempre estou recebendo Michael Jackson”, responde Depp. “Agora mesmo, por exemplo. Se você tem alguma pergunta pra ele, é só me fazer. No final da coletiva vou embora ‘moonwalking'”. Em seguida, a resposta séria: “Sabe, sempre me perguntam isso, e eu vejo alguma semelhança, a questão da proteção excessiva durante o dia. Ninguém nunca vê um vampiro à luz do dia, então era o único caminho possível de seguirmos. Pra mim tem um pouco também de Peter Lorre no filme Dr. Gogol, o Médico Louco”. Clique para continuar >>> 

Questionado sobre o tom campy, caricatural, Burton se revolta: “O filme não é campy. Vou embora, acho isso um insulto”, brinca. Grahame-Smith emenda: “Nós nunca paramos pra discutir se faríamos um drama, uma comédia, um romance ou um horror gótico. Estamos fazendo Dark Shadows”.

Burton explica melhor: “O seriado era bastante sério, mas todo mundo aqui que lembra de Dark Shadows tem lembranças afetivas. Então mesmo que tivesse aquela seriedade excessiva, havia também uma energia; não era especificamente engraçado, mas para nós havia humor ali. Nossa intenção não era fazer um negócio caricato, mas emular aquele tipo de novela bizarra com atuações não muito realistas. Aquele tipo de diálogo, aquele tipo de atuação, os personagens andando pra câmera na hora dos seus close-ups, é aquele espírito que queremos pegar. Eu amo o seriado, mas pra quem não conhece Sombras da Noite talvez pareça um filme que Ed Wood faria”.

Sobre a saturação dos vampiros hoje em dia: “Pra mim, os vampiros nunca foram moda, porque a gente aqui assiste a filmes de vampiros desde os cinco anos de idade. Sempre assistimos. Não encaramos então [fazer um filme de vampiro] como uma coisa positiva ou negativa, e sim buscamos o seriado e tentamos pegar dali as coisas de que gostávamos, tudo o que era único e pessoal”, diz Burton. Depp completa: “Para nós, resgatar Barnabas não tem a ver com a moda dos filmes de vampiros, mas com a ideia de fazer um filme clássico de monstros”.

Sobre a repetição continuada das parcerias, Elfman começa: “Trabalhar com Tim sempre é uma surpresa. Hoje, depois de 14 ou 15 filmes, vejo como um processo em evolução, e sempre é uma surpresa. As pessoas acham que dá pra prever, que eu consigo antever a trilha, mas na verdade é o oposto. Sempre que começo a trabalhar num filme dele parece que estou recomeçando do zero e não faço ideia de que rumo tomar”. Depois Burton fala da dupla com Depp: “Quanto mais você trabalha com uma pessoa, mas importante se torna o elemento surpresa. Em parcerias artísticas, quando você escolhe um projeto, fica mais difícil, porque você precisa ter certeza de que aquele novo projeto é a coisa certa mesmo. Na hora em que você perde isso, perde tudo”. E Depp emenda: “Pra mim, desde Edward Mãos-de-Tesoura, embora trabalhar com Tim sempre tenha sido uma zona de conforto, ainda sinto uma pressão – não uma pressão, mas uma motivação inicial – de criar alguma ideia que combine minhas bizarrices com as dele, alguma ideia diferente que o agrade”.

Questionado sobre a importância dos remakes hoje em dia, Burton respondeu: “Você sabe que conseguiu criar um sucesso quando decidem fazer um pornô baseado no seu filme. Como Edward Penishands, que teve até continuação! Mas sério… Eu não acho que o fato de uma coisa já existir significa que ela vai funcionar de novo. Eu não encaro Sombras da Noite como um remake ou uma releitura. Pra mim e para o pessoal aqui é mais como se inspirar com um quadro… Com Alice no País das Maravilhas também foi assim, tudo acaba sendo baseado em uma outra história, um conto antigo. Não é só uma questão de requentar o material”.

Depp encerra a coletiva falando sobre Jonathan Frid, o Barnabas Collins original, falecido em abril. “Ele foi um cavalheiro. Sempre que você encontra uma pessoa assim, especialmente Jonathan Frid, que criou o papel e tornou Barnabas conhecido há tanto tempo, você nunca sabe se ele vai te passar o bastão ou te bater com ele. Ele apoiou a minha versão de Barnabas, e pra mim isso foi muito importante. Era um grande homem e foi uma perda enorme”.

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