Johnny Depp Forever
A sua fonte de informações sobre o ator e músico Johnny Depp
Johnny na revista Interview
abril 8, 2014

A edição de abril da revista Interview traz uma entrevista com Johnny, feita por Iggy Pop, e uma sessão de fotos (provavelmente tiradas no fim de março) feitas pelo fotógrafo Bruce Weber. Veja a tradução da entrevista e confira as fotos em seguida, clicando nas miniaturas para vê-las em tamanho maior em nossa galeria!

Ainda mais do que as outras estrelas de sua geração (os Pitts, o Clooneys, os Cruises), Johnny Depp construiu um mito pessoal tão complexo e convincente quanto sua carreira. Em certo sentido, ele conseguiu posicionar -se como o trovador beatnik do cinema americano. Depois de seus primeiros papéis, como o garoto bonitinho em A Hora do Pesadelo (1984) e o charmoso policial do final dos anos 80 em Anjos da Lei, Depp lutou contra sua imagem de ídolo. Em seu primeiro papel como protagonista, na comédia de John Waters, Cry-Baby (1990), o ator criou o seu próprio modelo pin-up, interpretando um bad boy de ensino médio, sempre com a língua firmemente plantada na bochecha. E, assim como ele se tornou a munição dos jovens de Hollywood no centro de tabloides (que datam os namoros com a atriz Winona Ryder e a modelo Kate Moss), parecia haver outro Depp escondido além dos holofotes, um artista curioso que procurou seus heróis criativos, incluindo Marlon Brando, seu bom amigo Hunter Thompson, o artista Ralph Steadman (com quem Depp aparece neste mês, sem uma boa razão, em um documentário sobre a vida e carreira de Steadman).

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Com a volta da estrela na sinistra fantasia de Edward Mãos-de-Tesoura, de Tim Burton (1990), Depp começou a montar o criatório de doidos, proscritos e desajustados (Ed Wood [1994], Don Juan DeMarco [1995], Ichabod Crane em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça [1999], Raoul Duke em Medo e Delírio em Las Vegas [1998]), que iria definir sua reputação como mestre imprevisível de disfarce de Hollywood. E, para grande parte dos últimos 15 anos, os personagens excêntricos e complicados de Depp foram a atração principal em uma série de longas (como Willy Wonka e o Chapeleiro Maluco em A Fantástica Fábrica de Chocolate [2005] e Alice no País das Maravilhas [2010], respectivamente, e como o Capitão Jack Sparrow na franquia Piratas do Caribe).

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Agora, com 50 anos, Depp pode ser reinventar-se mais uma vez. Escapando das camadas de maquiagem em “Transcendence”, o ator interpreta um pesquisador de inteligência artificial cuja mente está incorporada em um sistema de seu computador-personagem, em outras palavras, ele desaparece em uma rede de seu próprio projeto.

Ou talvez Johnny é apenas o mesmo velho Johnny, o Johnny, que, com sua banda The Kids que tinha um sonho realizado ao abrir para Iggy Pop, no início dos anos 80. O ator e o músico então se encontraram novamente no set de Cry-Baby e se tornaram amigos e colaboradores um do outro desde então (Pop ainda marcou o filme solitário que Depp dirigiu, o drama O Bravo [1997]). Em fevereiro passado, Pop, que agora vive na Flórida, ligou para Depp, que estava em sua casa em Los Angeles, para falar sobre heróis, solos de guitarra, entrar no personagem, e ficar longe de tudo isso.

IGGY POP: Eu tenho esse artigo que você escreveu, em 1999, chamado de “Kerouac, Ginsberg, os Beats, e outros bastardos que arruinaram minha vida.” Nele, você menciona ser um adolescente que sonhava em beber Boone’s Farm com o líder de torcida.

JOHNNY DEPP: Ah, sim, o cara, Boone’s Farm foi uma das minhas primeiras musas. Boone’s Farm e MD 20/20. [risos]

POP: Estou feliz em ouvir isso. Boone’s Farm foi a grande favorita dos Stooges, e especialmente para mim. Mas, é claro, agora você está familiarizado com alguns dos melhores Bordeaux-Cheval Blanc e etc.

Depp: É uma preferência que vem de Boone’s Farm, com certeza.

POP:Você menciona Ginsberg flertando com você. Ele me visitou uma vez, mas ele não flertou comigo, então eu sou um pouco magoado com isso. Acho que eu estava meio que over-the-hill esse tempo. Ele apenas olhou em volta do meu apartamento e disse, “Quanto isto custa?” [risos]

Depp: Eu o conheci quando estávamos fazendo um documentário chamado The United States of Poetry, em 1995, eu estava lendo alguns Kerouac para o filme. Depois disso, eu me ofereci para dar-lhe uma carona para casa. Eles enviaram uma limousine – naqueles dias era um trecho de limo e Ginsberg entrou e disse, “Uau, quanto você acha que isso custa por hora?” [risos]

POP: Eu acho que, mais tarde, ele estava um pouco obcecado com isso. Mas eu entendo. Esses caras foram artistas famintos por excelência.

Depp: De fato. Estar em seu apartamento em Nova Iorque era como se sentir entrando em 1950.

POP: Com os pequenos bibelôs em estilo zen.

Depp: E livros em todos os lugares. Ele era um flerte implacável. Toda vez que eu o via, ele gostava de apertar as mãos. Era doce. Eu acho que ele só queria afeto, em qualquer nível.

POP: Eu li que você fez telemarketing. Como foi isso?

Depp: [risos] Eu comercializava canetas por telefone. Mas o belo da coisa foi que eu tinha que ligar para estranhos e dizer: “Oi, como vai?”. E eu inventava um nome, tipo, “Ei, aqui é Edward Quartermaine, da Califórnia. Você é elegível para receber este relógio de pêndulo ou uma viagem à Taiti.” Prometia -lhes todas essas coisas se comprassem uma caixa de canetas. Era simplesmente horrível. Mas eu realmente acho que foi a primeira experiência que tive com a atuação.

POP: Eu também era um operador de telemarketing. E durei dois dias porque não vendia nada. Eu acho que é bom eu ter ficado na música.

Depp: Eu vendi uma coisa, uma caixa de canetas para um cara. E então ele estava me perguntando sobre a viagem para Taiti e eu estava cheio de culpa, então eu lhe disse: “Ei, cara, você não quer essas malditos canetas. Isso é uma farsa. O relógio de pêndulo é feito de cartão prensado. você não vai para Taiti. Sinto muito”. Então eu falei com ele sobre isso.

POP: Quantos cigarros você fuma diariamente agora?

Depp: Aposto que uns mil.

POP: Mil por dia! [risos] Isso é incrível, mas você parece muito autêntico. Eu acredito nisso.

Depp: Eu estou tentando alcançar uma meta de dez mil.

POP: Continuando nesse mesmo sentido, como você vê o seu futuro?

Depp: [risos] É no mínimo questionável​​. Você está muito fora dos deleites da fumaça, não é?

POP: Eu parei no final do século passado. Eu tinha que fazer isso. Vim aqui para a Flórida, que tem uma merecida reputação zen, é um bom lugar para curar-se quando você está golpeado por Nova York e realmente enlouquecido por aquela reputação desprezível.

Depp: Se há lugares que curam eles definitivamente estão nas proximidades do oceano e das brisas. Há algo sobre esse tipo de clima e umidade no Caribe.

POP: Você se mudou de Kentucky para a Flórida, certo?

Depp: Sim, eu me mudei de Kentucky para Miramar, Flórida, com cerca de 8 anos. Acho que eu estava na segunda série. Eu ainda tinha o meu sotaque do sul, e lá você tem que experimentar um caldeirão em fúria. Todas as crianças que eu saía eram crianças sicilianas de Jersey e Nova York. Havia também as famílias cubanas, e aqueles com uma vibe redneck-y, por isso convivi com um pouco de tudo. Lembro-me de uma enorme onde de violência na Flórida, enquanto eu estava crescendo lá.

POP: Ainda é assim. Recebemos a notícia disso às vezes. Uma vez eu estava parado no trânsito na Rodovia Dixie e dois rapazes saíram de seus carros e começaram a destruí-los, bem no meio do tráfego de quatro pistas. Eles não se preocuparam com armas ou qualquer coisa. Foi apenas com seus punhos e juntas de raiva.

Depp: Você não vai se lembrar disso, mas eu fiz dois shows com você em Gainesville. Minha banda, The Kids, abriu para você no início dos anos 80. Deus, você foi um herói e o maldito show foi incrível. Depois do show você estava andando em torno do clube, e eu estava de pé no bar, todos de 17 anos, beberrões, evoquei todos os espíritos que pude para chegar até a coragem de falar com você. E lembro-me de tomar a decisão horrível de ir, em meu estado de embriaguez adolescente, “Bem, eu vou chamar sua atenção.” Comecei a ir, “II- Iggy Pop, Piggy Slop”, sabe? Você caminhou em minha direção e colocou seu rosto a cerca de um quarto de uma polegada do meu e disse “Seu merdinha.” [risos] E não só era exatamente a reação que eu merecia, mas era o que eu queria. Eu tive um momento com você. Mesmo que fosse três palavras que me deixassem para baixo como absolutamente um “nada”, eu estava tão satisfeito e feliz porque tive essa experiência com você.

POP: Eu estou feliz por não ter explodido com um cara tão bacana lá. [risos] Na verdade, eu tenho um dom escatológico que eu carrego por você também. É uma linha única. Você e eu nos encontramos em um tipo de situação desonesta uma vez. Alguém havia nos convidado para uma festa que pode ter sido mais parecida com uma orgia, e chegamos lá e nos encontramos no quarto escuro no topo do que parecia ser uma casa muito vazia. Havia pouca mobília. Ninguém estava lá. E você olhou para a esquerda e olhou para sua direita, e disse: “Sinto cheiro de merda.” [risos] E era isso, do lado de fora da porta. Isso sempre vem em minha mente quando eu penso em mim em um lugar ruim e quero dar o fora para outra direção. Imaginei as pessoas de Kentucky devem dizer isso. Na verdade, eu conheci sua família, e é realmente um bom grupo de pessoas. Todo mundo parece muito bem relacionado. Como um pacote de biscoitos.

Depp: Pode ser endogamia. Eu não sei. [risos]

POP: No trailer de Transcendence você meio que fez a coisa garoto-propaganda da empresa, onde basicamente você está introduzindo a nova pesquisa, à la Steve Jobs. Houve alguma coisa que você ficou curioso sobre como você estava se saindo nesse papel?

Depp: O que me fascinou mais do que tudo é a correlação entre a tecnologia e o poder: a ideia de que um cara que é capaz de baixar o seu ser consciente em uma máquina pode se tornar Deus, ou uma versão de Deus. A religião é um buraco negro fascinante para mim.

POP: A Igreja da Cientologia publicou um anúncio de grande orçamento durante o Super Bowl, e estendeu a proposição: “E se a tecnologia e a religião pudessem ser combinadas?” ou algo nesse sentido. O visual parecia muito com o trailer de Transcendence. Mas uma associação peculiar que eu fiz quando eu ouvi sobre esse filme foi Donovan’s Brain (O Cérebro Maligno) [1953]. Foi este barato e velho filme de ficção científica que eu assisti muito quando eu estava nos meus vinte anos, sobre um cientista pioneiro no Ocidente que morre antes que ele possa completar sua investigação. Eles conseguem tirar seu cérebro e colocá-lo em um grande tanque de peixes, e ele torna-se mais brilhante do que nunca, mas ele também se torna realmente significante. Eu acho que a ideia é que, sem o toque de moderação do espírito animal, a mente humana é capaz de coisas muito perigosas.

Depp: Absolutamente. É realmente assustador. E quando você vê tudo isso que se passa nos comerciais – esses comerciais intermináveis – as -pessoas ​​gritando, despejando sua saliva: “Compre isso, isso, isso vai lhe poupar, isto irá corrigir você…”

POP: Há um certo frenesi que é tomado, este tom agudo, agressivo. Isso consume tudo; você não pode competir de nenhuma forma.

Depp: Tudo pode ser um reality show agora. Imagine o que é que vai ser em 20 anos de porcaria, cara.

POP: Eu acho que isso vai continuar nessa direção, e até ou a menos que haja algum tipo de conflito horrível ou um problema que faça com que seja muito mais difícil manter a rede elétrica. Um monte de vaidades atuais dependem de alguma ciência muito extravagante.

Depp: As pessoas ficam famosas agora por eu-não-sei-o-quê. As pessoas vão para reality shows, porque elas são alguma socialite de Hollywood, e essas coisas tornam-se muito bem sucedidas e geram uma porrada de dinheiro para a empresa. E isso está se multiplicando, em qualquer lugar que você esteja, literalmente, olhando para a porta do banheiro do seu vizinho, com abandono imprudente. É como assistir a um incêndio. Você não pode tirar os olhos dele.

POP: Eu sei. Como Buster Keaton vir a se tornar um ator – ele estava no vaudeville? O que aconteceria com um cara como esse agora? Como ele iria conseguir um show?

Depp: A mãe dele era do vaudeville. Eu acho que queriam colocá-lo no palco em seu show, quando ele estava com 2 ou 3. Ele era capaz de fazer essas quedas surpreendentes. Ele supostamente pegou o nome Buster de Houdini. Houdini estava no mesmo circuito que os pais, fazendo as mesmas mostras por volta da virada do século. Buster Keaton, a história vai indo, talvez ele tenha derrubado alguma coisa desagradável num conjunto de degraus de escada, e Houdini olhou e disse: “What a buster (Que imbecil).” E foi aí que ele adotou o nome. Mas eu acho que Buster Keaton, neste dia e idade, seria… Ele teria ido embora, provavelmente. Ele era muito inteligente. [risos]

POP: A aparência dele não era diferente da aparência de algumas das pessoas mais inteligentes e perturbadoras que você vê vivendo na rua, vendo o mundo que eles não podem trazer de volta. Há algo ali, naquele silêncio, mesmo que o problema seja só que eles não têm calorias suficientes para lutar mais.

Depp: Eu acho que é exatamente isso. É essa sensação de ter estado na roda dos desvalidos por um longo tempo, vendo as mudanças que vêm ocorrendo ao longo dos anos dentro do contexto de nossas indústrias. Eu acho que aquela face, com Buster, é algo existencial, eu não posso acreditar que isso está acontecendo com esse tipo de coisa. Confuso. Em uma perda de palavras.

POP: É divertido vestir-se e colocar um monte de gosma em seu rosto?

Depp: Eu amo a ideia de mudar a minha aparência. Eu acho que alguém deve dar isso ao público, ir lá e dar-lhes algo diferente a cada vez, para não entediá-los até a morte. E eu sempre senti que, se você não está tentando algo diferente a cada vez que sai para fora do portão, você está sendo seguro, e não quero nunca mais encontrar esse lugar de segurança. Eu gosto disso, a cada vez, antes mesmo de eu ir na frente das câmeras, a reação do estúdio tem que ser o susto.

POP: [risos] O susto pelo bem-estar de seu dinheiro?

Depp: Em última análise. Eles têm os sintomas horríveis de medo e susto para onde eles vão, “Ele vai acabar com o filme.” [risos] E eu não posso discutir com eles, porque talvez eu acabasse mesmo. Mas eu só sei que, para o personagem, esta é a coisa certa a fazer. E eu sempre gostei de me esconder por trás desses personagens. É uma coisa estranha, você está mais confortável como um personagem do que com você mesmo na vida real. Você sabe o que eu quero dizer? Eu podia ficar de pé na frente de, não importa quantas pessoas, como um personagem. Mas se eu tivesse que fazê-lo como eu mesmo e dar um discurso, eu seria um fracasso.

POP: Eu me lembro que você estava maravilhado quando Jim Jarmusch foi à sua boate e teve uma boa conversa com alguém, e você disse: “Ele tem o dom da palavra que eu não tenho!” Eu não tenho isso também. Mas Jarmusch realmente tem. Ele é um operador tranquilo nisso, cara.

Depp: Algumas pessoas têm essa capacidade, e eu nunca tive isso. E nunca quis.

POP: Nick Tosches, ele continua sendo forte?

Depp: Ele ainda está indo em frente. Ele é tão brilhante. Ele é um dos escritores mais poéticos, e cheio de fúria, mas ele ataca com tanta calma. E sabedoria. Eu sempre me sinto realmente sortudo, depois que eu li um dos livros de Tosches, porque é como se você já tivesse tido aquela experiência com ele. E é engraçado porque sair com ele é muito parecido com estar em um de seus livros. Da mesma forma que foi com Hunter [S. Thompson]. Quando eu saía com Hunter durante todos aqueles anos, e vivi em seu porão em Woody Creek, Colorado, quando estávamos muito próximos. Acho que sempre me refiro a nós como suportes desviantes de livros em certo ponto. Mas você sempre era o outro personagem no livro. Ele fez seu homólogo. Então, ir para Cuba ou ser trancado em um quarto de hotel em São Francisco com ele por cinco dias, era tudo real. Acabamos com 17 toranjas e 40 saleiros e pimenteiros, e sanduíches embalados. Quero dizer – loucura. É ótimo poder ser real. Há aqueles que encontram os seus heróis e é tipo, “Ah, droga.” E eu nunca tive isso, felizmente. Começando por você, eu nunca estava desapontado com as pessoas que eu admirava. E as escolhas que fiz quando eu estava em uma posição de fazer-ou-morrer, foram feitas com meus heróis em mente. Como, Cry-Baby foi um momento realmente importante para mim, pois fiquei longe de ser considerado apenas um ator de TV. Não houve uma verdadeira transição para o cinema naquela época. E então Mãos-de-Tesoura foi mais um passo na direção que eu queria ir. Entrei nisso com o cérebro de um músico, tudo o que eu fiquei pensando sobre o passado depois é que você não quer decepcionar aqueles que você admira.

POP: Como, o que Marlon Brando dizia?

Depp: Exatamente. Eu não queria decepcionar as pessoas que haviam aberto as portas pra mim antes.

POP: Há algo sobre tocar guitarra. Isso ajuda você. Às vezes você pode ver a verdade, eu acho.

Depp: Eu ainda me aproximo de uma cena, como seria se aproximar de um solo. Não há nada definido. Eu não sei o que diabos vai acontecer até eu chegar lá. Assim como quando você está na cabine e você está tocando um solo de guitarra, você não sabe exatamente como você está se saindo nesta ou naquela parte. E eu acho isso agradável. Essa ideia do acaso.

POP: É um trabalho muito difícil ser um ator no set de filmagens. Trabalho árduo, duro.

Depp: É um trabalho árduo. Mas, certamente, eu já ouvi falar de coisas piores em shows.

POP: Eu li que você era um mecânico em sua adolescência. O que você fez, trabalhou em sua moto?

Depp: Eu estava trabalhando em um posto de gasolina, com bombeamento de gás, e eles me colocaram na garagem e eu fiquei como mecânico. Eu disse ao cara: “Ei, eu sei muito pouco sobre isso.” E ele disse: “Oh, você só vai fazer o que eu disser e vai dar certo.” Bem, isso não aconteceu. Mudei todos os pneus no carro do cara, fiz o alinhamento, coloquei as malditas rodas novamente, puxei para baixo, o cara entrou, e sua roda traseira esquerda disparou a droga do veículo. [risos] Fui despedido, nem é preciso dizer. E você? Você está como no momento, escrevendo, gravando?

POP: Eu estou fazendo um programa de rádio para a BBC 6.

Depp: Isso é ótimo. Estou feliz que você tenha conseguido algum tempo fora da estrada. Estive tocando muito, recentemente. É um verdadeiro salva-vidas, quando estou sendo capaz de me concentrar em meu primeiro amor. É a liberdade.

POP: É um show muito mais livre, sendo um músico. Menos pessoas envolvidas.

Depp: É um imediato -yeah, caramba, capturamos isso. Acho que é isso, capturar algo.

POP: Você está tocando com muita gente?

Depp: Eu estive escrevendo e gravando com Ryan Adams, ultimamente. Ryan é extremamente prolífico e ele é apenas uma alma pura, ele é apenas esse ser.

POP: Eu sei como são as coisas dele. Ele é realmente muito talentoso, realmente qualificado, e um tipo inquieto de artista.

Depp: Exatamente, ele está em movimento o tempo todo. É como se estivesse queimando algo dentro dele.

POP: Ele é um perigo. Como eu era. Espero que eu não seja mais. Mas ele tem aquela aparência perigosa. Oh, cara, venha Ryan, se jogue lá.

Depp: Ele tem um grande controle sobre si mesmo. E está cuidando bem de si mesmo. Mas é um talento, cara. Estou espantado com o desgraçado. E também, aqui e ali eu estou fazendo alguma coisa com Alice [Cooper], o que é muito divertido. Também com Marcus Mumford, que é incrível. Mas o que fica na minha cabeça são as vezes que você e eu nos sentamos no estúdio e apenas brincamos – fazendo o programa de TV em Paris naquela época [tocando sua música “Hollywood Affair”], apenas com o material de gravação do estúdio.

POP: “Hollywood Affair” é muito agradável; é uma bela peça de música. E eu tive algumas sugestões muito boas para o seu filme O Bravo, também. Eu reutilizei aquilo no Avenue B [1999]. As pessoas que querem o meu trabalho de sempre não gostam. Mas há um monte de gente que eu posoa alcançar e tocar daquela maneira. Havia sentimento na música. Foi supremo para mim.

Depp: Aqui está uma pergunta para você. O trabalho que você e [David] Bowie fizeram, que resultou em The Idiot [1977] – Vocês já pensaram em tentar algo juntos de novo? Estou perguntando como um fã.

POP: Eu nunca digo nunca sobre nada. Eu tive grandes momentos, de forma criativa, com ele. Particularmente nesse The Idiot. Bowie queria tentar alguma coisa, e naquele ponto, eu iria tentar a metade de qualquer coisa. Uma noite eu saí e fiquei bêbado e ele estava entediado, então ele foi no meu quarto e olhou debaixo do colchão, eu costumava escrever poesia com raiva e esconder debaixo do meu colchão e ele encontrou este poema: “Estou na beira / Eu sinto como se estivesse prestes a quebrar / Tudo é muito certo e eu quero um pecado estranho / Eu quero algum pecado estranho.” Então, ele escreveu e fez uma música com isso [“Some Weird Sin” do álbum Lust for Life, de 1977]. Ele também me deu a ideia do título “Lust for Life”. Eu não sabia disso na época, mas o que eu tinha, é claro, era uma novela e um filme estrelado por Kirk Douglas, como van Gogh.

Depp: Algumas dessas letras ainda ficam na minha cabeça. Eu acho que uma das mais legais é “That’s like hypnotizing chickens.”

POP: Isso é de Burroughs. “O que é esse amor afinal? / Bem, é exatamente o mesmo que hipnotizar galinhas / Você só esfrega sua barriga ou esfrega sua cabeça, e elas entram em um transe / Isso é amor.” [risos]

Depp: Eu leio de Burroughs o “A Thanksgiving Prayer (Oração de Ação de Graças)” provavelmente a cada bimestre. Essa é a minha religião. Eu acho que começa com: “Para John Dillinger, na esperança de que ele ainda esteja vivo.” É tão bonito. Meu Deus, é tão bom falar com você, cara. Estou com saudades. Espero que possamos entrar em contato em algum momento.

POP: Absolutamente. Eu vou fazer algum show em Hollywood. Ou, você sabe, você pode vim visitar o meu barraco azul aqui.

Depp: Eu convido você e sua garota para ir até aquele pequeno lugar que eu tenho nas Bahamas, cara. Você poderia sair de sua casa e estar em uma praia bacana em menos de duas horas. O anonimato é viável lá. E a frequência cardíaca diminui cerca de 20 batimentos por minuto, dentro dos primeiros 15 minutos que você entra lá. Sim, devemos passar uma temporada lá.

Photoshoots > 2014 > Bruce Weber (Interview Magazine)

Fonte | Créditos: IFOD

  • nara

    Mais o que posso dizer de mim é que um dia eu fique que nem o jonnhy deep esperto talento e o qie mostra mesmo o que é arte.

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