Johnny Depp Forever
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Johnny Depp na capa da Rolling Stone Brasil!
julho 12, 2013

A partir de hoje (12), a edição de julho da Rolling Stone Brasil chegas às bancas do país, trazendo Johnny Depp em uma de suas capas (a capa principal é ilustrada por Bruce Lee).

A revista publicou em seu site parte do texto com a entrevista que Johnny concedeu à publicação. Leia a seguir.

Às vezes, talvez tarde da noite, depois de largar a guitarra ou um dos quatro ou cinco livros que lê ao mesmo tempo, ou desligar o “programa de TV mais trash imaginável” (ele é fã do reality show Here Comes Honey Boo Boo), Johnny Depp começa a se fazer perguntas. Ele ama o que faz da vida, já teve trabalhos piores, e ganha cada vez mais dinheiro com isso – do tipo que compra ilhas, constrói estúdios de gravação em casa e faz com que filhos e netos jamais precisem se preocupar. No entanto, há algo mais que ele queira fazer? Seria bom simplesmente ir a algum lugar, sentar, pensar e escrever – não necessariamente histórias, simplesmente escrever? Hoje, no escritório dele em Los Angeles, em uma pausa nas filmagens de um longa de ficção científica chamado Transcendence, no dia seguinte à festa de aniversário de 14 anos da filha, Depp está pensando que “talvez”. “Estou chutando a bunda dos 50”, ele diz, poucas semanas antes do final de sua 40a década, fumando um cigarro gordo e marrom, enrolado com maestria por ele mesmo. “Não dá para dizer que quero fazer isso por mais dez anos.” Mas, por enquanto, ele segue a todo vapor: nesta semana, estreia nos cinemas brasileiros como o índio Tonto no filme O Cavaleiro Solitário, da Disney.

Enquanto isso, pensamentos sobre aposentadoria surgem “todo dia”, Depp conta em uma das matérias de capa da Rolling Stone Brasil de julho. Mas nada iminente. “Acho que, enquanto tenho a oportunidade, o desejo e a chama criativa de fazer o que posso agora, devo fazer”, ele afirma, com uma voz de barítono regada a tabaco, um tanto hipnotizante, embora murmurante. “Depois, em algum ponto, vou fazer o mínimo possível e me concentrar, acho, em viver a vida. Realmente viver, e ir a algum lugar onde você não tenha de ficar correndo, ou entrar escondido pela cozinha ou pelo labirinto subterrâneo do hotel. Em algum momento, quando você fica velho o suficiente para ter alguns neurônios de volta no cérebro, percebe que, de certa forma, teve uma vida de fugitivo.”

Só que ficar mais velho abre as portas para alguns papéis interessantes – veja o falecido companheiro de bebedeiras dele, Marlon Brando – e Depp não é muito bom nesse negócio de descansar. “Não sei se consigo relaxar”, diz. “Não dá. Meu cérebro, quando ocioso, é algo ruim. Fico estranho. Quer dizer, não estranho, fico inquieto.” Ele joga a ponta do cigarro no cinzeiro sobre uma mesa de canto de madeira com uma roda de roleta embutida no tampo.

Quando Depp deixa a mente divagar, ela pode ficar assim: “Há uma grande parte de mim que tem preocupações profundas com, digamos, o mundo, como todos. Se você é, de alguma forma, sensível a essas coisas e fica absorvendo, absorvendo, absorvendo, você enlouquece. Começa a se envolver em coisas como – as pessoas brigam porque uma diz que seu deus é melhor do que o da outra, e zilhões de pessoas morrem. De forma selvagem. Horrível. Pessoas inocentes. Quer dizer, não há como – você não pode absorver isso como uma máquina e, depois, cuspir como dados que fazem sentido. Não dá. Então, você tem de se proteger, não sei. Proteger a si mesmo de certa forma, como…”

Ele faz uma pausa, olha através dos óculos de lentes azuis e ri, reconhecendo o beco sem saída mental em que acabou de chegar. Fica claro que Johnny Depp é uma boa companhia. Não demora muito para ver por que os heróis dele – Brando, Keith Richards, Hunter S. Thompson, Bob Dylan – tendem a se tornar seus amigos. “Johnny é tão interessante quanto Dylan ou Brando – ou eu”, diz Richards, que deu horas de entrevistas a Depp para um documentário que ele está filmando sobre a vida e a música do guitarrista dos Stones. Richards também foi pai de Depp nos filmes da franquia Piratas do Caribe. “Ele tem muitos interesses e um grande senso de humor. Você fica atraído por pessoas assim. Ele é basicamente igual a mim – um garoto tímido de quem se aprende muito. Além disso, sabemos que temos algo a fazer… e não sabemos o que é.”

Os óculos de Depp são receitados e ele precisa muito deles, embora não ajudem com o olho esquerdo. Desde que nasceu, ele é “basicamente cego como um morcego” daquele lado, de uma forma impossível de corrigir. “Tudo fica muito, muito embaçado”, conta. “Nunca tive visão boa.” O olho direito é simplesmente míope (e, ultimamente, hipermetrope). Então, quando está atuando – a não ser que tenha a sorte de estar em uma cena em que seu personagem usa óculos escuros –, Johnny Depp só consegue enxergar a alguns centímetros de distância do rosto.

Durante a conversa com a reportagem da Rolling Stone, o astro também falou sobre a relação com o álcool (nunca se considerou alcoólatra – “Não tenho a necessidade física da droga álcool”, ele afirma), sobre a separação de Vanessa Paradis, mãe de seus dois filhos (“Relacionamentos são muito difíceis. Ainda mais na minha área, porque você está sempre longe”) e da predileção por personagens que acabam mascarando por completo sua beleza física (“Quando fico coberto por maquiagem, é mais fácil olhar para outra pessoa”, diz Depp. “É mais fácil olhar para o rosto do outro do que para o próprio”).

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