Johnny Depp Forever
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Entrevista: Homens das “Sombras”
maio 13, 2012

“Vamos deixar uma coisa bem clara:” Johnny Depp sincroniza os lábios a um brinquedo antes de um bando de manipuladores. “Eu não sou”.

Acalme-se, TMZ. Depp não está fazendo declarações sobre suas inclinações. Ele está apenas em um clima lúdico, uma tendência quando Tim Burton está próximo.

Depp e Burton – juntos novamente para a versão de tela grande da série de TV “Dark Shadows” – estão rebatendo piadas curtas com máquinas de som de brinquedo, que Burton trouxe escondidas em sua jaqueta. Agora eles as usam como crianças com walkie-talkies. Esses aparelhos – duas máquinas de som ‘Isso é tão gay!’ – fazem a tagarelice para eles. Ousada tagarelice.

“Pare de reclamar”, Depp dispara contra Burton.

“Não é homofobia, docinho”, Burton auto-replica. “Todo mundo odeia você”.

Mesmo quando é hora de falar de negócios, Burton continua com o brinquedo. “Como é trabalhar com Johnny Depp?” ele começa a entrevista perguntando no dispositivo.

“Você é louco e eu adoro isso”.

Burton deixa o dispositivo de lado, embora ele e Depp ainda estejam rindo – e parte para uma entrevista experimental.

“Vamos todos ser demitidos!” Burton sugere. “Isso não seria ótimo? Você deseja obter grandes citações. Nós poderíamos fazer toda a entrevista desta maneira”.

Se qualquer dupla pudesse, são Burton e Depp que possuem o mais saudável casamento profissional de Hollywood. “Sombras”, uma retomada da série da ABC, marca seu oitavo filme juntos. Seu relacionamento de 22 anos, que não incluiu sequências, marca uma das mais prolongadas parcerias diretor-ator de Hollywood.

Seu oitavo filme juntos “tem que ser um recorde”, diz o historiador de cinema Leonard Maltin. “Você teve algumas pessoas bem conhecidas: John Wayne e John Ford, Scorsese e De Niro, Tom Hanks e Steven Spielberg tiveram alguns juntos, mas eu não conheço nada que chegue perto dos números de Tim e Johnny”. Clique para continuar lendo >>>

“Sombras” se encaixa perfeitamente no catálogo Burton-Depp. Depp reprisa o papel de Barnabas Collins, um vampiro que despertou depois de um cochilo de dois séculos, para descobrir que 1972 é um mundo distante de seus dias de cavalos, tochas e estacas de madeira.

Depp, que interpretou Willy Wonka, Ichabod Crane e o Chapeleiro Maluco de Burton, vê Collins como uma continuação de um tema do qual os dois ainda têm que desviar: celebrar o rebelde.

“Nós nos relacionamos com os personagens que são deixados um pouco de lado”, diz Depp. “As pessoas que não sentem que se encaixam em algum lugar. Eu acho que é por isso que trabalhamos bem juntos”.

O salto da TV

Bem, ele assume o que eles fazem. Johnny Depp nunca viu um filme de Tim Burton com Johnny Depp. O raciocínio de Depp pega até mesmo Burton desprevenido.

“Eu não quero olhar para uma filmagem através de um monitor, mesmo”, diz Depp. “Isso não melhora o que estou tentando fazer. Eu acho que, uma vez que fiz o meu trabalho, isso não é mais negócio meu”.

Burton começa a voltar, ri, então tem um outro momento de ligação. “Para dizer a verdade, eu não tenho tanto”, diz Burton. “Eu certamente o vejo na edição, por isso não é o mesmo. Mas eu não acho que já vi um de nossos filmes em um cinema ou em vídeo”.

Isso significa mais de duas décadas evitando:

– “Edward Mãos de Tesoura” (1990). Burton deu a Depp sua grande oportunidade como o personagem título, um pária vestido de couro com uma tesoura para as mãos e um dom para cabeleireiro.

– “Ed Wood” (1994). O cineasta da vida real recebeu uma homenagem em preto-e-branco nesta cinebiografia maluca do lendário diretor de filmes B.

– “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (1999). Depp interpretou Ichabod Crane na primeira tentativa de terror total da dupla.

– “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005). Depp diz que ele imaginou uma George W. Bush chapado, a fim de interpretar Willy Wonka.

– “A Noiva Cadáver” (2005). Em sua primeira colaboração animada, Depp deu voz ao personagem Victor Van Dort.

– “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007). Depp surpreendeu como o personagem-título em seu primeiro musical.

– “Alice no País das Maravilhas” (2010). Depp foi o Chapeleiro Maluco neste remake, que continua a ser o maior sucesso comercial da dupla até hoje, com ganhos de US$ 334 milhões.

Lembrando os filmes, ambos admitem surpresa pelo que a parceria tornou-se a longo prazo. “Eu não gosto nem de jantar com minha família oito vezes”, diz Burton, de 53 anos.

Depp, também, nunca esperou um ‘Melhores Amigos para Sempre’. Ele quase cancelou seu primeiro encontro com Tim Burton para discutir o personagem Mãos de Tesoura. “Eu percebi que não havia caminho neles contratarem um garoto de TV”, diz Depp. “Naquela época, a TV era uma sarjeta”.

E Depp, 48, sentiu-se relegado a isso. Embora ele tivesse encontrado o estrelato como o policial disfarçado de estudante do ensino médio em “Anjos da Lei”, Depp detestava a popularidade e queria fazer o salto para o cinema. “Eu queria ser demitido do show”, diz ele.

Um cinéfilo de coração, Depp encontrou o Burton do filme stop-motion de 1982 Vincent, um curta de seis minutos sobre um menino de 7 anos que fantasia ser Vincent Price. Burton lançaria Price em “Mãos de Tesoura”, último filme live-action do ator.

Depp foi vendido. Ele manteve o compromisso, e “em 15 minutos, eu sabia que nós tínhamos um ao outro. Ele vai fazer uma piada que talvez duas pessoas no mundo entendam. Geralmente, nós”.

Burton também queria Depp para o papel – “Você poderia dizer que ele estava colocando tudo o que tinha em cada papel, mesmo no programa de TV” -, mas teve de defender isso com os executivos da 20th Century Fox para aprovar o jovem ator.

Agora os chefes dos estúdios pedem a Burton para se puder, você sabe, talvez ver se Johnny estaria livre para fazer este filme, também.

Se Tim pede, Johnny torna-se livre. “Ele começou o caminho em que estou agora”, diz Depp para um Burton envergonhado. “Eu não sou nada sem ele. Se ele acha que uma história é digna de ser contada, eu confio nele com tudo”.

Começar filmes do papel ficou fácil, diz Burton, que observa que tudo mudou depois que Depp estrelou Piratas do Caribe em 2003 e lançou um rolo compressor com a franquia da Disney. “Pelo menos no estúdio. Ninguém quer perder dinheiro, mas nenhum de nós se importa muito com quanto dinheiro (o filme) faz”.

Essa é uma frase que vem da boca maioria dos cineastas, mas nem Burton nem Depp tem uma reputação como vendedores comerciais. Mesmo o icônico Jack Sparrow de Depp é um espadachim andrógino que deu dúvidas a Disney. (Depp uma vez brincou com um executivo para relaxar, que todos os seus personagens são gays.)

“Johnny não tem medo de fazer papéis que poderiam ser o fim de sua carreira”, diz Richard Zanuck, que produziu metade dos filmes da dupla, incluindo “Sombras”. “Tim é a mesma coisa. Eles preferem fazer um filme pelo qual não sejam lembrados que qualquer outro filme”.

Palavras não são necessárias

Não há muitos como “Sombras”, uma mistura de horror, comédia e temas peixe fora d’água como o Barnabas de Depp tentar entender música funk dos anos 70 e descobrir como “essas cantoras pequenas” ficam presas em uma caixa de TV.

Enquanto o trabalho não pode se repetir, amigos dizem que, sua química funciona. Como nem falam muito, eles desenvolveram um sistema de sinais durante as filmagens.

Se Burton acha que Depp está exagerado, ele vai se encolher um pouco e sacudir a cabeça por trás da câmera. Se ele precisa de mais energia de Depp, ele pode respirar fundo, esticar as costas, tornar-se maior.

“Há uma sintonia absoluta”, diz Depp. “Provavelmente porque nenhum de nós pode encadear uma frase coerente juntos”.

Esse desconforto social tornou simpáticos os colegas de trabalho – e gerou “Sombras”. Depp lembra de assistir ao programa de TV quando crescia na Flórida. Burton, também, era um devoto que o assistia em seu apartamento em Burbank, na Califórnia.

Os dois estavam conversando no set de “Sweeney Todd”, quando Depp mencionou o quanto ele queria fazer um filme de vampiro. Isso foi tudo que foi necessário para convencer Burton. A companhia de produção de Depp, Infinitum Nihil, comprou os direitos à propriedade e construiu a cidade assombrada de Collinsport, Maine, a baía e tudo, em um estacionamento abandonado em Kent, Inglaterra.

No set, os observadores dizem que a química esbanja mais brilho. “É quase simbiótica”, diz a co-estrela Bella Heathcote. “Eles terminam as frases um do outro”.

Não há razão para isso, Depp diz. “Eu não acho que nós poderíamos terminar um pensamento coerente sem a ajuda um do outro”.

Ou um aparelho de som afeminado. Burton não pode ajudar, mas brinca mais uma vez antes de Depp retornar aos paparazzi de Hollywood.

“Como é trabalhar com Tim Burton?”, ele pergunta a máquina. “Faaabuloso!”

Depp levanta uma sobrancelha, ergue sua cabeça: “Isso é o que eu ia dizer”.

Fonte

Tradução e adaptação: Cristina – Equipe Johnny Depp Forever
Não reproduza sem os créditos!

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